Especialista aponta que tratamento adequado pode reduzir prejuízos funcionais decorrentes da doença

Com sintomas como tremores e lentidão, o Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva, que atinge mais de 1% da população mundial. Só no Brasil, são pouco mais de 200 mil pessoas convivendo com o problema, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Doença de Parkinson (DP), descrita por James Parkinson em 1817, é uma das doenças neurológicas mais intrigantes. Ela atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Estima-se uma prevalência de 100 a 200 casos por 100.000 habitantes.

De acordo com o neurologista da NeuroAnchieta, dr. Manoel Wilkley, a doença é causada por uma diminuição intensa na produção da dopamina, substância responsável pela transmissão de mensagens entre as células nervosas. “A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento realizado pelos músculos. Na falta dela, o indivíduo perde o controle motor, o que ocasiona os sinais e sintomas característicos”, explica.

O médico esclarece ainda que, embora já sejam conhecidos alguns genes relacionados com a doença, ela habitualmente não é hereditária. “Os genes que favorecem o seu desenvolvimento possivelmente agem de forma indireta, em conjunto com outros fatores. Entre eles, destacam-se os ambientais, como a contaminação com agentes tóxicos”, aponta.

Sintomas

São quatro principais: tremor de repouso, lentidão e diminuição dos movimentos voluntários, rigidez muscular, principalmente nas articulações, e instabilidade postural. O especialista da NeuroAnchieta afirma que para o diagnóstico basta que estejam presentes dois dos três primeiros citados. Além disso, ele explica que associado às alterações motoras, existem sintomas não motores, que, inclusive, podem anteceder os sintomas motores. Assim, redução do olfato, constipação intestinal, incontinência urinária e oscilações no humor, como depressão, ansiedade e outros, podem estar relacionados ao início da doença.

Como o diagnóstico é feito

Realizar o diagnóstico precoce pode ajudar no controle da doença. Para isso, a tecnologia e um exame bem feito, com equipamento de qualidade, são fundamentais. “O estudo por ressonância é importante na avaliação dos pacientes com Parkinson/Parkinsonismo porque auxilia na exclusão de eventuais diagnósticos diferenciais nestes pacientes. Os aparelhos de RM 3,0 TESLA hoje conseguem avaliar a região que é afetada em pacientes com Parkinson (região do nigrossomo-1 na substância nigra onde estão a maior parte das células produtoras de dopamina). Nós, dispomos do equipamento e da sequência utilizada para esta avaliação, que precisa ser feita minuciosamente”, explica o responsável técnico do Anchieta Diagnóstico, Dr. Anderson Benine Belezia.

Tratamentos e avanços na medicina

A doença ainda não tem cura, mas medicamentos podem ajudar a controlar os sintomas de Parkinson. Além disso, segundo Dr. Manoel Wilkley, existem técnicas cirúrgicas que atenuam alguns dos sintomas. A avaliação do procedimento a ser adotado varia caso a caso e outras especialidades podem contribuir para o tratamento. “O objetivo do tratamento, incluindo medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, é reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença e trazer mais independência e qualidade de vida ao paciente”, relata.