Sinto dor no ciclo menstrual e no sexo e estou com corrimento; o que será? Viva Bem / Brasil

Estes sintomas podem indicar diversos problemas. A começar por um quadro inflamatório da região pélvica, que se dá pela proliferação de bactérias e fungos. Quando estes micro-organismos entram no útero e trompas, causam corrimento vaginal com coloração diferente e odor desagradável. Além disso, a infecção também pode provocar dores na região da pélvis, coceira e desconforto vaginal e na hora de urinar.

Outra possível causa são as doenças inflamatórias não infecciosas da pelve. Uma das mais comuns é a endometriose, que acontece quando o tecido endometrial (camada interna do útero) cresce em outras partes do corpo que não seja o local de costume. Isso pode levar a mulher a ter dores pélvicas crônicas, dismenorreia (desconfortos no período menstrual que aumentam progressivamente) e dispareunia (dores nas relações sexuais). A chamada adenomiose, doença em que o tecido endometrial se mistura às fibras musculares da parede do útero, também pode levar aos mesmos sintomas.

Por ter diversas causas, é de extrema importância buscar ajuda de um ginecologista. Durante a consulta, o profissional deve iniciar com a chamada anamnese, que é deixar a paciente falar sobre seus sintomas com total liberdade. Depois, fará uma pesquisa sobre antecedentes da paciente e da família. A etapa seguinte, ainda no consultório, é realizar alguns exames ginecológicos.

O especialista irá pedir testes complementares, que podem envolver desde a coleta de secreção vaginal até solicitação de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassom, tomografia, ressonância magnética, entre outros. Com os resultados em mãos, o ginecologista indicará o melhor tratamento.

É importante saber que, dependendo do que for diagnosticado, a mulher precisará mudar seus hábitos de vida. Também poderá ser indicado tratamento medicamentoso ou cirúrgico, para que assim o problema não retorne ou aumente o intervalo entre os sintomas. Afinal de contas, certas doenças como endometriose tem controle, e não cura.

Em paralelo, já é possível tomar algumas atitudes no dia a dia. A começar pela alimentação saudável, prática de exercícios físicos e, claro, cuidados específicos com a saúde íntima. Higienizar a vagina com sabonete neutro, evitar roupas apertadas e duchas vaginais são algumas atitudes que ajudam na redução dos sintomas. O tratamento indicado pelo médico também deve ser seguido à risca.

Fontes: Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês e Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo; José Gomes Moura, médico ginecologista e obstetra do Hospital Anchieta de Brasília.

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