A doença respiratória do bebê

Especialistas alertam para os perigos do vírus sincicial respiratório, que atinge praticamente 100% das crianças de até dois anos de idade

Desde o aparecimento da covid-19, as doenças respiratórias ganharam maior notoriedade, assim como passaram a ser alvo de preocupação por parte da população. Entre as patologias caracterizadas pelos clássicos sintomas — coriza, obstrução nasal e desconforto para respirar — está o vírus sincicial respiratório (VSR). “É o principal causador de doenças das vias aéreas superiores, como resfriados, e também agente de pneumonia viral e bronquiolite nas crianças”, explica Jefferson Pitelli, otorrinolaringologista do Hospital Anchieta de Brasília.

De acordo com o médico, estudos mostram que o vírus é responsável por causar infecções respiratórias em crianças de até dois anos de idade, sendo que quase 100% delas já tiveram contato com esse vírus alguma vez ao longo da infância.

Conforme dados publicados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), esse agente infeccioso é responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias em crianças no primeiro ano de vida, com aumento de casos no período de maior incidência da doença, cuja sazonalidade acontece predominantemente no outono e inverno.

Segundo Jefferson, o vírus é bastante comum e conta com sintomas típicos de um quadro de resfriado no primeiro momento, porém, pode evoluir para uma síndrome respiratória aguda grave, chamada de síndrome gripal.

Nos casos mais graves, o paciente sente sintomas intensos, como febre, dor de garganta e dores no corpo e nas articulações. “O vírus sincicial respiratório pode causar sintomas leves, evoluir para moderados e até para mais graves, em que o paciente vai precisar de suporte respiratório”, conclui. Assim como toda doença respiratória, a transmissão ocorre por meio do contato com as gotículas expelidas na hora da fala.

A intensivista pediátrica Viviana Sampietro, do Hospital Brasília, destaca que quando o vírus acomete as vias respiratórias de um recém-nascido, chegando ao brônquio, a possibilidade de esse caso ser mais grave do que o de uma criança que teve o primeiro contato com o vírus mais velha é maior. “As via aéreas do recém-nascido são pequenas. Então, se inflama um pouco, a obstrução à passagem do ar é maior, podendo levar a internação por insuficiência respiratória.”

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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