Pouco conhecidas pelos brasileiros, as inflamações intestinais têm sintomas parecidos e podem causar câncer no aparelho digestivo se não tratadas

O mês de maio é repleto de datas especiais e é também quando se realiza o World IBD Day (Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal), instituído em 19 de maio. Com o objetivo de conscientizar sobre as doenças inflamatórias intestinais, o Maio Roxo, promove o entendimento a respeito da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa.

No Brasil, as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) atingem 13,15 em cada 100 mil habitantes, sendo 53,83% de Doença de Crohn e 46,16% de Retocolite Ulcerativa, de acordo com dados do Grupo de Estudos das Doenças Inflamatórias Intestinais do Brasil (GEDIIB). Sem comprovação científica da causa das (DII), estima-se que os hábitos de vida ocidentais, como alto consumo de comidas gordurosas e produtos industrializados, além de fatores hereditários e imunológicos, estejam relacionados ao aparecimento das patologias.

Maio Roxo e a promoção da saúde
Durante todo o mês, campanhas alertam sobre a importância do diagnóstico e tratamento das DII. “As doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, ocasionam um desequilíbrio na absorção de alimentos e com graves consequências para o paciente. Por isso, é necessário cuidado e acompanhamento específico com gastroenterologistas experientes”, explica a oncologista do Hospital do Câncer Anchieta, Dra. Regina Hercules Vidal.

O que é a Doença de Crohn
É uma doença inflamatória séria que afeta a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode atingir qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus). Entre os principais sintomas estão diarreia, sangue nas fezes, anemia, mudança no hábito intestinal (alternância de diarreia e constipação), dores abdominais, aumento do volume da barriga e emagrecimento sem explicação.

O diagnóstico é feito por meio da colonoscopia com biópsia, mas outros exames como radiografia do abdome, exame contrastado do intestino delgado, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cápsula endoscópica e exames laboratoriais, na dependência dos sintomas, ajudam na identificação dessas alterações no organismo. É chamada Doença de Crohn porque Burril B. Crohn foi o primeiro nome de um artigo de três autores, publicado em 1932, que descreveu a doença.

Retocolite Ulcerativa
Caracterizada por uma inflamação da mucosa do intestino grosso e com sintomas semelhantes aos de outras doenças do aparelho digestivo, como diarreias e anemia, a Retocolite Ulcerativa não causa lesões no intestino delgado, o que ajuda na diferenciação com a Doença de Crohn.

A Retocolite Ulcerativa pode ter manifestações extra-intestinal como dores articulares, eritema nodoso, pioderma gangrenoso (feridas escuras com infecção e que exigem tratamento agressivo) e, em casos raros, alterações oculares e hepáticas. O diagnóstico também é feito através de colonoscopia com biópsia e o tratamento a partir de medicamentos para controle da inflamação. Em casos mais graves, com complicações agudas ou crônicas, especialmente neoplasia, mesmo muito precoce, recorre-se a cirurgia.

Câncer no Intestino
Pacientes com DII têm mais chance de desenvolver um câncer colorretal em relação à população sem a doença, por isso a colonoscopia é fundamental para diagnosticar e tratar lesões potencialmente cancerosas. “Após oito anos dos sintomas e diagnóstico, o paciente precisa realizar a colonoscopia periodicamente para evitar maiores consequências, como câncer colorretal. O coloproctologista irá orientar as melhores opções de tratamento e os intervalos entre os exames”, acrescenta a oncologista do Hospital do Câncer Anchieta.