Com diagnóstico e tratamento feito corretamente é possível viver com qualidade e diminuir as crises

Uma queda na glicose ou o aumento repentino da glicemia podem ocasionar diversos problemas ao corpo humano, incluindo uma convulsão. A crise convulsiva é uma atividade elétrica anormal no cérebro, pode ser em um conjunto específico, numa região mais focal ou uma atividade elétrica generalizada causada por algum processo irritativo naquela área, às vezes uma lesão localizada ou uma alteração metabólica.

“Quando há essa atividade anormal no cérebro é ativada a ação involuntária e pode ser que o paciente perca a consciência, tenha movimentos involuntários dos braços, das pernas, com contrações. Às vezes acontece à ativação do sistema nervoso autônomo, responsável por alguns comportamentos fisiológicos que podem fazer com que o paciente urine ou defeque durante a crise. Também podem ocorrer alterações pupilares, no caso de uma crise generalizada, porque houve comprometimento encefálico bilateral concomitante”, explica Dra. Priscilla Proveti, neurologista da NeuroAnchieta.

De acordo com a especialista, nem sempre toda convulsão indica uma doença neurológica grave. “Ela pode ter várias causas e se diferem um pouco dependendo do que a provocou, como uma alteração metabólica, a hipoglicemia ou hiperglicemia, que devem ser tratadas imediatamente. O paciente que teve um episódio de hipoglicemia e uma crise convulsiva não necessariamente terá isso de novo. Por isso, é importante que a pessoa admitida no hospital com convulsão faça ressonância de crânio, exames laboratoriais e até um eletroencefalograma para que seja possível determinar o tipo de crise que ele apresentou e se há outra atividade irritativa. Outros problemas tratados de forma imediata não ocasionam sequelas”, acrescenta a neurologista.

As crianças também podem ter crises convulsivas. “A convulsão na criança não necessariamente é pior do que no adulto. Na infância, a Síndrome de West é uma das patologias comuns e atinge neonatos e crianças bem pequenas que têm como se fosse um surto. Essa síndrome, geralmente, é acompanhada de outras alterações neurológicas, como retardo no desenvolvimento neuropsicomotor, algumas lesões de órgãos vitais e ainda alteração hepática dependendo do caso. Como a criança está com o cérebro em desenvolvimento, as sequelas podem ser secundárias. Por isso, é importante diagnosticar o problema e tratar”, afirma Dra. Priscilla Proveti.

Como reagir a uma convulsão

É importante saber como reagir no caso de uma crise convulsiva. Há o mito de que é necessário colocar a mão na boca do paciente para evitar que ele engula a língua, mas isso é errado. “Esse risco não existe e se fizer isso você pode se ferir ou machucar a pessoa tentando abrir a boca dela. O correto é primeiro protegê-la tirando de perto objetos que possam causar alguma lesão e proteger a cabeça para não batê-la. No final da crise, coloque a pessoa de lado porque ela pode vomitar e fazer uma broncoaspiração, é preciso evitar que o vômito chegue à via aérea e cause uma infecção posterior. Depois, encaminhe-a para um pronto-atendimento, lá será avaliado o motivo dessa crise”, explica a neurologista da NeuroAnchieta.

Como evitar uma crise

Ter controle dos fatores de pré-disposição à crise, que são: privação do sono; estresse emocional; deixar de tomar a medicação corretamente no horário; o uso de bebida alcoólica; flutuações metabólicas; crianças não ficarem longos períodos sem se alimentar porque podem ter uma queda da glicemia sanguínea e assim ocasionar uma crise. 

Sobre a Epilepsia

O paciente que já apresenta uma epilepsia tem sempre que procurar o atendimento médico? Às vezes não. “Geralmente a crise dura poucos minutos, no máximo até cinco minutos, e mesmo sendo recorrente não necessariamente precisa ir ao pronto-atendimento. O mais importante é os familiares ficarem atentos se dura mais tempo, se há recorrência durante o dia ou mais do que duas crises sem recuperação total da consciência. Caso isso aconteça, pode ser sinal de atividade elétrica cerebral ainda muito alterada e é perigoso porque pode provocar danos neurológicos permanentes, como a morte do neurônio e até o óbito do paciente”, conclui a neurologista.